QUANTO CUSTA À POPULAÇÃO A FALTA DE PLANEJAMENTO NA SAÚDE PÚBLICA?
A pergunta que ecoa entre os moradores é simples, mas carrega um peso cada vez maior: quanto custa, na prática, a falta de planejamento da atual administração municipal? A resposta, infelizmente, começa a aparecer de forma concreta e cara no caso da UPA do Jardim do Sol.
A unidade, essencial para o atendimento de urgência e emergência, segue fechada. O prédio, que deveria estar em funcionamento atendendo a população, hoje se encontra vulnerável, exposto a furtos e atos de vandalismo. Um retrato do abandono que contrasta com o discurso oficial de eficiência.
A história revela mais do que descuido: escancara uma sequência de falhas administrativas. Em 2024, ainda na gestão anterior, foi realizada a licitação da reforma estrutural da unidade. Com a mudança de governo em 2025, caberia à nova administração dar continuidade ao processo. No entanto, a ordem de serviço para início da obra só foi emitida em agosto daquele ano, um atraso que já sinalizava a falta de prioridade.
Durante esse período, os atendimentos foram transferidos para o Mater Day, espaço definido anteriormente, mas que passou a gerar um custo mensal de R$ 80 mil aos cofres públicos. A reforma estrutural foi concluída em janeiro de 2026. Era o momento lógico para que a segunda etapa, a de acabamento, já estivesse pronta para começar.
Mas não estava.
A atual gestão simplesmente não se preparou. Não houve licitação prévia, não houve organização, não houve planejamento. Resultado: a continuidade da obra sequer começou. E, segundo informações, a nova licitação deve ocorrer apenas no segundo semestre, empurrando a conclusão da UPA para 2027.
Enquanto isso, a conta segue chegando. Mantido o aluguel do espaço provisório, o município pode desembolsar cerca de R$ 1 milhão em um ano, dinheiro público que poderia estar sendo investido em medicamentos, estrutura básica ou ampliação do atendimento.
E a população sente.
Pacientes enfrentam horas de espera nas unidades de saúde. Falta o básico, como insumos simples para a emissão de receituários, há relatos, inclusive, de postos sem toner para impressão, evidenciando um nível alarmante de desorganização. O sistema, sobrecarregado, revela um cenário onde o improviso substituiu o planejamento.
Diante desse quadro, a atuação da secretária de Saúde, Viva Feijó, levanta questionamentos ainda mais duros. Em vez de demonstrar foco na resolução dos problemas urgentes da rede pública, a impressão que se tem é de uma gestão voltada a agendas que pouco dialogam com a realidade da população: organização de estandes na exposição agropecuária de Londrina, participação em eventos de tecnologia em Curitiba e até envolvimento em atividades como jogos no Estádio do Café. Tudo isso enquanto faltam insumos básicos nas unidades de saúde e pacientes aguardam por atendimento. A desconexão entre prioridade e necessidade nunca foi tão evidente.
A sensação que fica é de uma administração desconectada, que insiste em projetar uma imagem de normalidade enquanto problemas estruturais se acumulam e custam caro.
No fim das contas, a pergunta permanece: quanto custa à população a falta de planejamento? No caso da UPA do Jardim do Sol, a resposta envolve milhões de reais, atraso na entrega de serviços essenciais e, principalmente, o prejuízo direto à dignidade de quem precisa de atendimento.
E esse é um preço alto demais para se pagar.