GESTÃO TIAGO AMARAL QUEBRA RITO DE 15 ANOS E NÃO DÁ REPOSIÇÃO SALARIAL DOS SERVIDORES
JORNAL LONDRINA
Pela primeira vez em 15 anos, servidores municipais de Londrina receberam o salário de
fevereiro sem o reajuste da inflação; enquanto contratos milionários correm normalmente, o
índice de 4,3% do INPC segue como promessa vazia para quem sustenta o serviço público.
O que se testemunha nos corredores da Prefeitura de Londrina neste final de fevereiro não é apenas uma falha técnica, mas uma anomalia administrativa que rompe com uma década e meia de estabilidade institucional. Pela primeira vez em 15 anos, os servidores municipais de Londrina receberam o salário de fevereiro sem o reajuste da inflação. O prefeito Tiago Amaral, sob o manto de um silêncio ensurdecedor, ignorou o prazo legal e o funcionalismo chegou ao fim do mês com o bolso corroído pela inflação, sem a correção de 4,3% (INPC) que a lei determina e o servidor esperava.
O RETROCESSO HISTÓRICO: A VOLTA AO CAOS DE 2012
Desde a turbulenta crise política de 2012, na gestão de Barbosa Neto, o servidor londrinense não vivia tamanha incerteza. Nem mesmo nos momentos de maior pressão fiscal das gestões de Alexandre Kireeff ou Marcelo Belinati o rito foi atropelado desta forma. O envio do Projeto de Lei (PL) à Câmara Municipal ainda em fevereiro era uma cláusula pétrea do respeito ao servidor, até agora. Confira o levantamento exclusivo do Jornal de Londrina, que escancara a eficiência do passado contra a paralisia do presente:
O que se testemunha nos corredores da Prefeitura de Londrina neste final de fevereiro não é apenas uma falha técnica, mas uma anomalia administrativa que rompe com uma década e meia de estabilidade institucional. Pela primeira vez em 15 anos, os servidores municipais de Londrina receberam o salário de fevereiro sem o reajuste da inflação. O prefeito Tiago Amaral, sob o manto de um silêncio ensurdecedor, ignorou o prazo legal e o funcionalismo chegou ao fim do mês com o bolso corroído pela inflação, sem a correção de 4,3% (INPC) que a lei determina e o servidor esperava.
O RETROCESSO HISTÓRICO: A VOLTA AO CAOS DE 2012
Desde a turbulenta crise política de 2012, na gestão de Barbosa Neto, o servidor londrinense não vivia tamanha incerteza. Nem mesmo nos momentos de maior pressão fiscal das gestões de Alexandre Kireeff ou Marcelo Belinati o rito foi atropelado desta forma. O envio do Projeto de Lei (PL) à Câmara Municipal ainda em fevereiro era uma cláusula pétrea do respeito ao servidor, até agora. Confira o levantamento exclusivo do Jornal de Londrina, que escancara a eficiência do passado contra a paralisia do presente:
O que torna a situação ainda mais escandalosa é o contraste de prioridades. Quando o assunto foi o aumento dos subsídios de secretários municipais, a base aliada de Tiago Amaral na Câmara operou com precisão cirúrgica através da Lei nº 13.921/2024. O resultado? Salários de secretários que saltaram para patamares superiores a R$ 20.000,00, garantidos desde o primeiro dia de 2025.
Vale lembrar que o Ministério Público já precisou intervir para barrar o acúmulo ilegal de salários de secretários da atual gestão, reforçando o clima de desconfiança sobre a moralidade administrativa do governo. A questão que Londrina se faz é simples: a mesma gestão que não encontra espaço no orçamento para corrigir o salário do professor, do enfermeiro e do guarda municipal, encontrou recursos para bancar R$ 300 mil mensais pelo aplicativo Londrina On, ferramenta que segue totalmente inoperante desde seu lançamento e cuja fatura já corre desde janeiro de 2026. Tem dinheiro para tudo, menos para quem trabalha.
Resta a pergunta incômoda: por que a "caneta" do prefeito é veloz para o alto escalão e tão pesada para o funcionalismo?
Fontes ligadas ao Jornal de Londrina revelam um cenário ainda pior. Segundo informações, o SINDSERV (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina) só teria conseguido a primeira reunião com o prefeito Tiago Amaral em 2025 depois que a diretoria do sindicato atravessou a Rodovia do Café e buscou o apoio do Presidente da ALEP, Alexandre Curi, para conseguir uma audiência no próprio gabinete municipal. Londrina parece ter um prefeito que só ouve os seus trabalhadores quando pressionado por "padrinhos" externos.
Somado a isso, o fantasma do "Decreto da Mordaça" (Instrução Normativa de 2025) continua a pairar sobre o funcionalismo. Sob o pretexto de "conduta digital", a gestão tenta sufocar críticas legítimas sobre a falta de estrutura em postos de saúde e escolas, criando um ambiente de medo que agora se soma ao prejuízo financeiro.
Juridicamente, a gestão Amaral caminha em gelo fino. Ao ignorar a Lei Municipal nº 9.337/2004 (que fixa 1º de fevereiro como data-base) e o Art. 37, X da Constituição Federal, o Executivo flerta com a improbidade administrativa. A estratégia de classificar o atraso como uma questão de "estudos orçamentários" não convence os órgãos de fiscalização, principalmente após a cidade despencar 44 posições no ranking de transparência pública do Tribunal de Contas, saindo do topo para o amargo 62º lugar. A folha de pagamento de fevereiro já foi processada e o índice de 4,3% (INPC) segue sem qualquer perspectiva de data.
Não por acaso, a mais recente pesquisa do Instituto Veritá coloca Tiago Amaral entre os três prefeitos com maior índice de rejeição no país. Com apenas 32,7% de aprovação popular, o levantamento expõe um gestor que perdeu a confiança da população: é a pior avaliação registrada por um prefeito de Londrina em anos, e os números chegam num momento em que o próprio funcionalismo municipal aguarda, sem resposta, a correção salarial que já deveria ter chegado.