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NA SAÚDE DE LONDRINA, MUITA FESTA E POUCO TRABALHO

✍️ POR: REDAÇÃO JL - JORNAL DE LONDRINA

 










Londrina perde recurso federal para construção de um CAPS. Esse é o Novo Tempo?


Linha fina: Vivian Feijó e Tiago Amaral promovem arraiá da saúde para celebrar a perda de recursos para a construção de um CAPS em Londrina. Cômico, se não fosse trágico. Recursos federais conquistados pela Prefeitura de Londrina em 2024, por meio do PAC da Saúde, destinados à construção de um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), foram perdidos após falhas diretas da secretária municipal de Saúde, Vivian Feijó.


Para ilustrar esse cenário, em meio à perda do recurso federal para a construção do CAPS na cidade, Vivian Feijó, junto com o prefeito Tiago Amaral, organizou um arraiá da saúde. A festa contou com a presença de vereadores como Chavão, Lenir de Assis e Sidnei Matias, que, em vez de se indignarem com a situação e cumprirem o papel de fiscalizar o Executivo, preferiram participar da celebração do chamado Novo Tempo.


Londrina assiste a mais um episódio que expõe o contraste entre propaganda e resultado concreto na saúde pública municipal. Enquanto a atual administração investe em eventos, solenidades e ações de autopromoção, a cidade perde recursos federais que poderiam fortalecer uma das áreas mais sensíveis e urgentes da saúde pública: a saúde mental.


Em 2024, ainda na gestão anterior, a Prefeitura de Londrina conquistou, junto ao Governo Federal, por meio do PAC da Saúde, a habilitação para a construção de um novo Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), equipamento fundamental para o atendimento de pessoas em sofrimento psíquico, dependência química e outras demandas de saúde mental.


A habilitação federal representava uma oportunidade histórica para ampliar a rede de atenção psicossocial do município, que já opera sob forte pressão e com demanda crescente. O novo CAPS seria estratégico para reduzir internações evitáveis, fortalecer o cuidado territorial e garantir atendimento humanizado e contínuo a pacientes em situação de vulnerabilidade.


Após a publicação da portaria de habilitação, cabia à secretária de Saúde, Vivian Feijó, dar continuidade aos trâmites técnicos e administrativos exigidos pelo Ministério da Saúde para garantir a liberação definitiva dos recursos e o início da obra.


No entanto, Vivian Feijó não conduziu o processo de forma adequada. A falta de providências administrativas e técnicas da secretária resultou na perda do prazo e no consequente bloqueio do recurso federal. O resultado é alarmante: Londrina perdeu o investimento destinado à construção do novo CAPS.


Um golpe direto na política de saúde mental


A perda desse recurso é especialmente grave porque atinge justamente uma das áreas mais críticas e negligenciadas do sistema de saúde: a saúde mental.


O novo CAPS não era apenas uma obra física. Ele representava a ampliação de uma política pública essencial, voltada ao cuidado de pessoas em sofrimento psíquico, em situação de crise, uso abusivo de álcool e outras drogas, além de pacientes que necessitam de acompanhamento contínuo fora do ambiente hospitalar.


Em um cenário de aumento expressivo da demanda por atendimento psicológico e psiquiátrico, a implantação de um novo CAPS seria uma resposta concreta do poder público à crise silenciosa que atinge milhares de famílias londrinenses.


Agora, esse avanço foi perdido em razão da falha atribuída à condução do processo pela secretária Vivian Feijó, que não garantiu a execução dos procedimentos necessários para manter o recurso federal ativo.


Uma gestão cercada de polêmicas


A secretária de Saúde, Vivian Feijó, acumula controvérsias desde antes mesmo de assumir o cargo. Sua chegada à pasta foi marcada por questionamentos envolvendo a estrutura de remuneração e o acúmulo de salários, situação que gerou forte repercussão política e administrativa.


Desde então, sua atuação vem sendo alvo de críticas de servidores e usuários do sistema público de saúde, que apontam uma gestão desorganizada e distante da realidade enfrentada diariamente pela população que depende exclusivamente do SUS.


Nos corredores da saúde pública, a avaliação de muitos profissionais é contundente. Vivian Feijó demonstraria maior preocupação com ações de visibilidade, eventos e agendas institucionais do que com a resolução dos problemas estruturais da saúde pública londrinense.


O retrato do abandono


A perda do recurso para o CAPS não é um fato isolado. Ela se soma a uma sequência de problemas que evidenciam o agravamento da crise na saúde municipal.


Entre os exemplos mais citados estão três novas UBSs prontas há mais de um ano sem inauguração, a UPA do Jardim do Sol fechada para reforma e sem conclusão, permanecendo praticamente abandonada, a falta de servidores nas unidades de atendimento, elevados gastos mensais com horas extras sem melhora perceptível no atendimento à população, além dos crescentes relatos de demora, superlotação e dificuldades de acesso aos serviços básicos de saúde.


A situação provoca indignação porque os recursos perdidos poderiam justamente aliviar parte dessa sobrecarga, especialmente em uma área tão sensível quanto a saúde mental, onde a ausência de estrutura adequada pode significar agravamento de quadros clínicos e até risco de vida.


O preço da incompetência administrativa


Perder recursos federais destinados à saúde mental não é apenas uma falha burocrática. Trata-se de um prejuízo direto para milhares de famílias londrinenses que dependem de atendimento psicológico, psiquiátrico e de acompanhamento contínuo oferecido pela rede pública.


Especialistas em gestão pública e saúde mental são unânimes ao afirmar que os CAPS são pilares fundamentais da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), sendo responsáveis por evitar internações desnecessárias, reduzir a sobrecarga hospitalar e garantir cuidado humanizado no território.


Quando a administração municipal deixa de cumprir as exigências administrativas necessárias para viabilizar um equipamento dessa importância, o impacto recai diretamente sobre pessoas em sofrimento, famílias desassistidas e uma rede já fragilizada.


Neste caso, a pergunta que fica é inevitável: como uma secretária que não consegue garantir a continuidade de um projeto de saúde mental já habilitado pretende enfrentar a crescente demanda por atendimento psicológico e psiquiátrico em uma cidade do porte de Londrina?


Entre festas, bajulações e o caos da saúde


O episódio reforça o descompasso entre discurso e realidade. Enquanto a administração promove agendas festivas, eventos institucionais e ações de marketing, os usuários enfrentam filas, unidades fechadas, falta de profissionais e obras paralisadas.


A perda dos recursos destinados ao novo CAPS torna-se, assim, o símbolo de uma gestão que, segundo a crítica apresentada, falhou na condução de um projeto relevante para a saúde mental.


Londrina, que já foi referência regional em organização da rede pública de saúde, vê crescer o sentimento de frustração entre profissionais e cidadãos. A conclusão que ecoa entre muitos usuários do sistema é dura, mas cada vez mais presente: há muita festa, muita propaganda e pouco trabalho efetivo para quem realmente precisa de atendimento público de saúde.


Esse é o Novo Tempo?


O slogan da atual administração prometia um Novo Tempo para Londrina. Entretanto, diante de equipamentos de saúde mental que deixaram de ser implantados, obras abandonadas, falta de profissionais, gastos elevados sem resultados concretos e, agora, a perda de recursos federais para um CAPS, a pergunta que fica para a população é inevitável:


Se este é o Novo Tempo prometido, até quando a saúde mental e a saúde pública de Londrina continuarão sendo tratadas com descaso?

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