COM VOTO DO PT, TIAGO AMARAL SE LIVRA DE CPI NA CÂMARA
Na tarde desta quinta-feira, foi votado o requerimento para a criação de uma CPI destinada a investigar a conduta do prefeito Tiago Amaral em relação à utilização de recursos do Fundo Municipal do Meio Ambiente para o pagamento de despesas da Educação.
Em que pese o Ministério Público ter apontado, de forma expressa e cristalina, a irregularidade da utilização desses recursos por parte do prefeito Tiago Amaral, a Câmara, por sua vez, preferiu tapar os olhos e dar um salvo-conduto ao alcaide.
Alguns fatos curiosos marcaram a votação. O primeiro deles foi o voto do PT a favor do prefeito Tiago Amaral. A vereadora Lenir de Assis votou contra a abertura da investigação.
Nos corredores da Câmara, as informações obtidas pela reportagem são de que a vereadora teria sido enquadrada pelo ex-deputado federal André Vargas para votar contra a CPI, rendendo-se ao comando do figurão petista, que cada vez mais ocupa espaço e importância no governo do prefeito Tiago Amaral.
Não é segredo para ninguém que o ex-deputado, condenado na Operação Lava Jato, tem vários cargos na administração municipal e teria, recentemente, conforme noticiado por este jornal, “salvado” a secretária de Saúde, Vivian Feijó, da degola, o que demonstraria sua força e alinhamento junto ao prefeito Tiago Amaral.
Outro fato curioso foi a posição do vereador Marcelo Oguido (PL), anteriormente um dos propositores do requerimento de abertura da CPI. Na hora da votação, porém, arregou e votou contra o próprio requerimento.
Conversando com alguns assessores da Casa e até mesmo com servidores, segundo eles, a surpresa foi zero, pois Oguido teria a fama de “arregão” e, quando pressionado, não aguentaria e acabaria recuando. Uma fala curiosa presenciada pela reportagem foi: “Esse aí é corajoso só no tatame”.
Outras fontes, inclusive próximas ao vereador Marcelo Oguido, relataram que ele estaria sendo pressionado para retirar sua assinatura do requerimento ou votar contra o próprio requerimento. Sem saber que isso era politicamente contraditório, foi lá e fez: votou contra o próprio requerimento.
O fato é que a maioria dos vereadores entendeu que o alcaide está com a razão e poderia ter feito o que fez com os recursos do Fundo do Meio Ambiente, não havendo nada a ser investigado ou questionado. E, se porventura houver alguma irregularidade, deixa para lá, afinal, o Ministério Público já está acompanhando o caso.
Trocando em miúdos, lavaram as mãos.
E o povo? Ah, o povo…
O povo não é uma preocupação desta Câmara, ou pelo menos de parte dela.