EM MANOBRA POLÍTICA ARTICULADA PELA FAMÍLIA CANZIANI E PELO PREFEITO TIAGO AMARAL, CÂMARA LIVRA VEREADORA ANNE DA ADA DA CASSAÇÃO
Na sessão da ultima quinta-feira (25), por 6 votos contrários à cassação, 11 favoráveis e 1 abstenção, a vereadora Anne da ADA conseguiu se livrar da perda do mandato. Para que a cassação fosse aprovada, eram necessários pelo menos 13 votos favoráveis, número correspondente a dois terços dos parlamentares da Câmara Municipal de Londrina.
Entretanto, o que chamou a atenção nos bastidores foi uma suposta articulação política envolvendo a família Canziani, especialmente o ex-deputado Alex Canziani e a deputada federal Luiza Canziani, juntamente com vereadores ligados ao prefeito Tiago Amaral, para salvar a vereadora da cassação.
Segundo informações de bastidores, o presidente da Câmara teria sido o responsável pela intermediação das conversas junto aos parlamentares. Entre os vereadores que teriam aderido ao movimento estariam Chavão, Valdir do Santa Fé, Antônio Amaral, primo do prefeito, e o próprio presidente da Câmara, Emanoel Gomes.
Ainda de acordo com fontes ligadas à política local, a família Canziani teria feito esse esforço político em razão dos interesses eleitorais do pré-candidato a deputado estadual Alex Canziani, que contaria com a vereadora Anne da ADA para disputar uma vaga de deputada estadual pelo Avante, contribuindo para o fortalecimento da legenda e para a formação do coeficiente eleitoral necessário à sua candidatura.
O que, talvez, os nobres edis tenham se esquecido é que, na terça-feira desta semana, o promotor de Justiça Renato de Lima Castro concedeu uma entrevista coletiva na qual surpreendeu a todos ao afirmar que a vereadora Anne da ADA teria cometido, segundo a análise do Ministério Público, a impressionante marca de 2.740 crimes. O próprio promotor classificou o caso como inédito em seus mais de 30 anos de carreira no Ministério Público.
Agora, algumas fontes ligadas à política revelam que a atitude da Câmara pode ser interpretada como uma séria afronta ao Ministério Público e uma sinalização do chefe do Executivo ao parquet de que quem manda na Câmara e na cidade é ele.
Para parte da opinião pública, a decisão da Câmara foi recebida com indignação e repúdio, diante do entendimento de que seria incompatível com a função parlamentar manter no cargo uma vereadora acusada de condutas tão graves.
A política londrinense, mais uma vez, promete novos e conturbados capítulos. Resta aguardar os próximos acontecimentos.