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A PIOR NOTÍCIA SEMPRE É A PRÓXIMA: SAÚDE DE LONDRINA ESTÁ NA UTI E A 16ª CONFERÊNCIA MUNICIPAL DE SAÚDE É CANCELADA

✍️ POR: REDAÇÃO JL - JORNAL DE LONDRINA

 



Que o sistema de saúde de Londrina está na UTI, indo de mal a pior, isso não é segredo para ninguém. Quando se imagina que não há mais o que piorar, um novo capítulo vem mostrando que, sim, ainda é possível piorar.

Ontem, na UniCesumar, localizada na zona leste de Londrina, a cidade viveu um dia que entra para a história de forma negativa. Londrina, reconhecida nacionalmente por ter sido pioneira na implantação das políticas públicas do SUS e por seu protagonismo na construção do controle social da saúde, presenciou um fato inimaginável: o cancelamento da 16ª Conferência Municipal de Saúde.

Um episódio inédito, jamais registrado na história do município.

O motivo apresentado para o cancelamento foi a falta de participação de delegados, especialmente do segmento dos usuários. Em um primeiro momento, o discurso oficial acabou atribuindo a responsabilidade aos participantes que não compareceram. Entretanto, um processo tão complexo, democrático e essencial para a construção das políticas públicas de saúde não pode ser explicado de forma tão simplista.

A Conferência Municipal de Saúde constitui um dos mais importantes instrumentos de participação popular. É nela que usuários, trabalhadores da saúde, gestores e prestadores de serviços discutem e definem os rumos da saúde pública municipal, fortalecendo o controle social e contribuindo para a formulação de políticas públicas.

O cancelamento da 16ª Conferência não ocorreu por acaso. O episódio acaba evidenciando uma gestão que vem perdendo a capacidade de dialogar com quem faz e utiliza o SUS diariamente. Ao longo de um ano e meio à frente da Secretaria Municipal de Saúde, Vivian Feijó vem acumulando desgastes justamente pela dificuldade de manter diálogo permanente com trabalhadores da saúde e com os usuários do sistema. Sem diálogo, sem mobilização e sem participação popular, o resultado acabou sendo o fracasso de um dos mais importantes espaços democráticos da saúde pública.


A gestão também vem sendo marcada por polêmicas envolvendo supersalários que chegam a R$ 50 mil, valores muito acima da realidade da população; por viagens realizadas durante dias de expediente; por relatos de ausências frequentes na Secretaria Municipal de Saúde feitos por servidores; e por uma crescente percepção de distanciamento em relação aos problemas enfrentados diariamente por quem depende do sistema público de saúde.

A soma desses fatores vem resultando em sucessivos desgastes para a administração da saúde municipal, tendo o cancelamento da 16ª Conferência Municipal de Saúde se tornado o símbolo mais evidente desse processo.

Londrina, cidade que sediou o primeiro Conselho Municipal de Saúde do Brasil e que sempre foi reconhecida nacionalmente por possuir um dos conselhos mais atuantes, combativos e participativos do país, chega agora a um dos momentos mais constrangedores de sua história na área da saúde.

A responsabilidade pela organização, mobilização e realização da Conferência Municipal de Saúde pertence à Secretaria Municipal de Saúde. Dessa forma, o cancelamento da 16ª Conferência acaba recaindo politicamente sobre a gestão da secretária Vivian Feijó, tornando-se um marco negativo de sua administração e fazendo com que passe a ser lembrada como a primeira secretária municipal de Saúde a não conseguir realizar uma Conferência Municipal de Saúde em Londrina.

É profundamente triste ver Londrina atravessando um momento tão conturbado na saúde pública. Quem está na ponta do sistema continua convivendo diariamente com filas intermináveis, falta de médicos, ausência de medicamentos básicos, deficiência na estrutura física das unidades de saúde e escassez de profissionais.

Enquanto isso, quem ocupa o conforto de um gabinete climatizado, muitas vezes cercado por bajuladores, acaba enxergando uma realidade muito diferente daquela vivida por trabalhadores e usuários do SUS.

O cancelamento da 16ª Conferência Municipal de Saúde não representa apenas o adiamento de um evento.

Representa o enfraquecimento do diálogo, da participação popular e do controle social, pilares que sempre fizeram de Londrina uma referência nacional na construção das políticas públicas de saúde.

Infelizmente, o dia de ontem passa a integrar a história da cidade pelo pior dos motivos: pela primeira vez, Londrina viu uma Conferência Municipal de Saúde ser cancelada, retratando de forma contundente a crise vivida pela saúde pública municipal.


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